terça-feira, 29 de março de 2011

O FOTOGRAFO DA ALMA (DAS ROUPAS)



Quando falamos de roupa e moda logo pensamos em todo o glamour que rodeia esse universo, nas pessoas famosas, nas peças caras, nas tendências, nas grandes marcas, entre outros ícones muito pertinentes a consciência fashion do mundo, mas quando menos esperamos, podemos encontrar em um pequeno quarto dos andares superiores do Carnegie Hall, em Manhattan um simples fotógrafo que vive para trabalhar em prol de um olhar urbano, moderno, muito informativo e humano sobre a moda.

É ele, Bill Cunningham, pioneiro da “foto de rua”, um simples homem que após desistir da faculdade de Harvard, se mudou para Nova York, teve sua marca própria de chapéus (William J.), serviu o exército e finalmente decidiu se dedicar ao jornalismo, contribuindo durante muitos anos com a informação de moda escrita, a qual posteriormente foi transformada em imagens e se tornou uma das colunas de street style mais famosas de New York, afinal esta semanalmente publicada no jornal New York Times com o título On the Street.


Dono de um panorama da moda de mais de 50 anos todo gravado no seu banco de imagens vivo, Bill é um dos mais respeitados fotógrafos de moda do mundo e passa todos os dias da sua vida dedicando o seu tempo a fotografar a alma das roupas, e com elas, a alma das pessoas, assinando um trabalho extremamente autoral e antropológico, que inspira desde transeuntes a grandes nomes da moda e da alta sociedade, como Anna Wintour, Tom Wolf, David Rockefeller e Annette de La Renta.

Por conta de toda essa personalidade e criatividade ele se tornou o personagem principal de sua própria história no documentário Bill Cunningham New York, dirigido por Richard Press, recem estreado aqui em Nova York. Nesse documentário encontramos um pouco de tudo que constrói o mundo de Bill, mas principalmente aprendemos que um olhar, muito trabalho e grande simplicidade podem construir uma carreira e mudar a história de muitas pessoas.



A sequencia da narrativa, que foi construída pelo diretor desde 2010, nos faz entender o lado historiador do trabalho de Bill e ao mesmo tempo conhecer a essência de um homem que apesar de trabalhar com os ícones da moda e com o que de mais glamouroso podemos encontrar no mundo, continua sendo um morador de um pequeno quarto com inúmeros arquivos de revistas e imagens, já que ele guarda todos os seus rolos de filme desde o inicio da carreira a 50 anos atrás,  poucos amigos, quase nenhum contato com a família e nenhum relacionamento amoroso ou afetivo, ou seja, um homem que vive para trabalhar e que ama o que faz.



Com sua modesta bicicleta e um característico casaco azul Bill circula diariamente pelas ruas de Nova York para procurar… isso mesmo, procurar tendências, pessoas, histórias e roupas, que na verdade são uma misturada do retrato antropológico das cidades e da característica de moda, estilo e cultura construída pelos personagens que fazem parte delas.



Sorte nossa que temos esse caçador de almas, pois por conta de sua busca incessante podemos conhecer semanalmente um pedaço do retrato de uma moda muito mais autentica, real, conceitual e temporal, afinal algumas imagens captadas por um bom olhar contam mais do que mil palavras.

http://www.nytimes.com/pages/fashion/index.html (coluna + vídeo narrado pelo próprio Bill)

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